O escândalo envolvendo a modelo e VJ da MTV, Daniele Cicarelli, e seu namorado em cenas tórridas de amor em uma praia na Espanha faz imaginar se no futuro as pessoas estarão interessadas em se tornar celebridades. Houve até quem estivesse vendendo o material pela internet. Cicarelli tornou-se alvo fácil dessa mídia movida a escândalos desde seu envolvimento com o jogador Ronaldo.

Engraçado é saber que hoje existem pessoas que querem aparecer na TV a qualquer preço, e de preferência na Globo. Pessoas que querem ser aduladas, paparicadas, mimadas à exaustão. Querem ser reconhecidas na rua, querem dar autógrafos, ser entrevistadas pelo Jô, comer pizza no programa do Faustão. Pessoas que dariam a vida pelos “15 minutos de fama” profetizados por Warhol.

Pois bem: até onde isso vale a pena? Deve ser deprimente perder o único momento em que realmente pode-se ficar à vontade com a vida. Privacidade vale mais do que qualquer oferta feita pelas propagandas de cartão de crédito. É sagrada, única e deveria ser respeitada.

Quanto a compartilhar, isto requer mais intimidade e não é algo que se conquista de uma hora para outra. Além disso, não são todas as pessoas de seu cículo social que entram nesta lista. A intimidade não deveria ser vista como um picadeiro onde palhaços fazem de tudo para lucrar às custas de sua liberdade. Com tantos assuntos importantes para serem discutidos, uma transa na praia deveria ser a única coisa com que se preocupar.

Podem até dizer que não foi uma transa qualquer e sim que se tratava de uma celebridade em um momento de raro prazer. Isto só mostra o quanto o ser humano ainda está reprimido, mesmo com todos os avanços observados nos últimos anos. Reprimidos sexualmente e completamente alienados na hora de escolher um assunto para debater.

Agora, imagine a cena: ao chegar na porta de casa depois do trabalho, você encontra um monte de jornalistas e outros curiosos menos qualificados cujo interesse é saber o que você vai fazer logo mais, com quem vai, qual roupa, qual perfume, qual companhia, se transou ou não e assim por diante. E pensar que ainda existem pessoas que querem levar essa vida sob os olhos do Grande Irmão.

Informar exige responsabilidade e bom senso, qualidades que estão se tornando cada vez mais raras não só na imprensa.