O aparelho de celular, quando nasceu, tinha como objetivo facilitar a vida das pessoas e usado apenas para fazer e receber chamadas. Hoje, ele tem tocador de mp3 com equalizador, câmera fotográfica com dois mega pixels, conexão com a internet e só falta atender suas chamadas, responder seus recados na secretária, os seus ’torpedos’ e ditar o que você deve ou não deve fazer durante o dia.
Engraçado é como essas bugigangas, ou ‘gadgets’, acabam seduzindo as pessoas, sempre ávidas em possuir o modelo mais atual para ficar na moda e assim fazer parte do seleto clube de pessoas antenadas com o mundo. Além disso, a propaganda ajuda a dar essa impressão de que tal aparelho é capaz de transportar você para os lugares mais divertidos, paradisíacos e sem sair do lugar. É a beleza da inércia substituindo a aventura de sair por aí e ver o mundo com os próprios olhos.
Será que todos que possuem um aparelho tão sofisticado usam estes recursos em sua total capacidade? Certamente algumas pessoas conseguem se valer do uso de toda essa tecnologia, mas isso vale para um número bem reduzido. Às vezes dá saudade do velho walkman, da máquina fotográfica com filme de rolo e do tempo em que não era uma regra possuir um celular. Infelizmente, esta praga cheia de botões e luzes tornou-se um mal necessário, como se não bastassem os números que você decora para agilizar a vida, como número de telefone de casa, do seu celular, da senha do cartão do banco, do celular da namorada, da placa do carro, do celular do melhor amigo…
Cuidado na hora de escolher este produto: a vaidade é um vício. Fora de controle, produz resultados tragicômicos.
As salas de bate papo pela internet é outro ‘avanço’ digno de comentário. Causa um certo desconforto saber que as pessoas não estão abertas a um diálogo e preferem as salas de chat (mais uma palavra estrangeira para sua coleção).
O que esquecemos de questionar é qual seria o verdadeiro valor de todo esse ‘progresso’, pois sendo apenas resultado de desenvolvimento tecnológico, fica evidente que a sociedade permanece fechada para um entendimento real. Se a sociedade estivesse avançando na mesma proporção das quinquilharias que são criadas e consumidas, a discussão sobre a legalização das drogas ou do casamento entre pessoas do mesmo sexo não seria um tabu.
26 Dezembro, 2006 at 9:28 pm
Hoje, eu acordei com uma vontade de ter uma super8, procurei nestes sites de leilão, achei na média de R$100,00. Algo, que nos anos 70, erauma fortuna. Realmente “o trem da juventude é veloz”. Saudade do tempo que para fazer música, filme, foto, texto, etc o criador tinha que ter talento. (e isso, meu amigo, não lhe falta)
Enorme abraço. Ainda vamos rodar alguns filmes em super8 – com o mestre JB. Abraços