Ter uma vida completamente nova, exercer uma identidade que você sempre idealizou, contar com oportunidades de se aventurar sem riscos de sofrimentos e ganhar dinheiro.

Quer saber como fazer tudo isso? Acesse o site Second Life, faça o download do programa, crie um avatar e comece a sua nova vida. Esta sociedade ‘moderna’, depois do desbunde tecnológico das duas últimas décadas, cada vez mais se entrega às ilusões e seus membros tentam anular suas próprias vidas talvez de uma forma não intncional. Num ambiente como o Second Life, o indivíduo deixa de assumir suas posições reais e de viver suas vida plenamente para se transformar num personagem virtual, num ambiente insípido no qual somente lá será livre e dono de seu nariz.

Experimentar a sensação de uma nova vida, na qual é possível encarar novos desafios depois de quebrar a cara e explorar emoções é resultado de suas ações neste plano físico. Trata-se do eterno retorno tão bem colocado por Nietzsche. O que impede as pessoas de serem elas mesmas no mundo real? Se falta de dinheiro é um destes fatores, isso só mostra o quanto esta sociedade ainda é feita de escravos. Se é medo por causa do que os outros vão falar, vale lembrar que Sócrates, Jesus Cristo, Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Gandhi, Mandela ou Lennon não conseguiram agradar a todos.

Torna-se impossível não fazer conexão desta ’nova vida virtual’ com o que é mostrado na trilogia Matrix. Substituir as sensações básicas da vida pelo sedutor mundo virtual é um dos exemplos mais cruciais do quanto não estamos preparados para aceitar diferenças e acabar com preconceitos e desigualdades. Trocar os preciosos minutos de vida por um personagem virtual pode ser uma forma de anular sua indivualidade, negar sua própria existência.

É necessário tomar a pílula vermelha, mesmo que isso cause algum desconforto no início ou ’liberdade’ será apenas um conceito imaginário.